Produtores rurais, profissionais do agronegócio, estudantes, pesquisadores e lideranças regionais participaram, na sexta-feira (21), do 13º Fórum Norte Gaúcho da Soja. Realizado na comunidade de São João Vianei, em Ipiranga do Sul, o encontro teve como tema “A Informação que Fortalece o Agro” e promoveu debates sobre clima, mercado, manejo do solo e controle de doenças na cultura da soja.
Na abertura, o prefeito de Ipiranga do Sul, Marco Antonio Sana, ressaltou a importância do Fórum para o município e para toda a região, especialmente por levar aos produtores informações que contribuem para o planejamento das propriedades e para o enfrentamento dos desafios da agricultura. O chefe do Executivo também destacou a parceria entre o poder público, as entidades e os profissionais envolvidos na organização.
Ipiranga do Sul, reconhecido como Berço Nacional do Plantio Direto, sedia o encontro há 13 anos. Para o Governo Municipal, apoiar iniciativas de atualização técnica está diretamente ligado à importância econômica e social da agricultura para o desenvolvimento do município.
A gerente regional da Emater/RS-Ascar, Fernanda Angonese, também destacou o Fórum como um espaço de aproximação entre o conhecimento técnico e a realidade vivenciada pelos produtores. A participação da Emater integra o trabalho de orientação, extensão rural e incentivo à adoção de práticas capazes de melhorar a produtividade e a sustentabilidade das propriedades.
Informação para orientar o produtor
Idealizador do Fórum e presidente do Sindicato Rural de Getúlio Vargas, o engenheiro agrônomo Luiz Carlos Silva enfatizou que a programação é construída ao longo do ano para responder aos principais questionamentos do setor. “Precisamos entender o que está acontecendo nesse ambiente para levar ao produtor rural a informação que ele necessita ouvir. Nossa função, como organizadores, é oferecer um conteúdo que faça a diferença e permita ao produtor se organizar e se planejar”, afirmou.
Segundo Silva, as constantes mudanças no clima, no mercado e nas políticas públicas exigem atenção e capacidade de adaptação. Ele também reforçou o convite para que mais agricultores participem das próximas edições. “O evento é organizado para o produtor rural. A qualidade dos palestrantes e dos conteúdos apresentados mostra a dimensão que o Fórum Norte Gaúcho conquistou. Nossa avaliação é positiva e já começamos a pensar na 14ª edição”, acrescentou.
Mercado apresenta perspectivas positivas
A economista sênior do Sistema Farsul, Danielle Montiel Guimarães, apresentou o tema “Análise e Perspectivas do Mercado de Soja”. Conforme a especialista, o cenário para a próxima safra é mais favorável do que o observado no mesmo período do ano passado. “As perspectivas para o mercado de soja são boas. Já observamos o mercado futuro negociando a soja de 2027 em patamares melhores. Em agosto do ano passado, os preços projetados eram entre 12% e 18% menores do que aqueles que vemos hoje”, explicou.
A projeção está relacionada à expectativa de redução dos estoques globais. Danielle ponderou, entretanto, que o resultado dependerá do desempenho das safras dos Estados Unidos e do Brasil, os dois maiores produtores mundiais. “Qualquer alteração no rendimento desses grandes produtores pode provocar uma retração maior da oferta e abrir espaço para novas valorizações no mercado internacional”, observou.
A economista também orientou os agricultores a acompanharem, além das negociações na Bolsa de Chicago, o comportamento do câmbio, que interfere diretamente nos preços praticados no Brasil.
El Niño exige planejamento e informação responsável
Um dos momentos mais aguardados do Fórum foi a palestra da meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, que abordou o tema “Como ficará o clima em 2026/2027 com El Niño ganhando força?”. Estael explicou que o fenômeno deverá alcançar sua maior intensidade entre outubro e dezembro, período decisivo para a implantação da cultura da soja. As projeções indicam chuva acima da média, com possíveis reflexos também no outono de 2027. “O produtor deverá avaliar muito bem as decisões de plantio e colheita. O escalonamento das lavouras e o aproveitamento das janelas de tempo seco serão importantes, especialmente em novembro”, alertou.
Apesar do cenário exigir atenção, a meteorologista ponderou que o El Niño não pode ser considerado uma sentença. Outros fatores atmosféricos, além das características de cada região e dos microclimas, podem ampliar ou amenizar seus efeitos. “Ipiranga do Sul não será impactada da mesma forma que São Luiz Gonzaga, Pelotas ou a região da Serra. Cada região responde de maneira diferente. A meteorologia é parceira do produtor porque oferece informações para reduzir riscos e ajudar na tomada de decisão da porteira para dentro”, afirmou.
Estael também chamou a atenção para a circulação de conteúdos alarmistas nas redes sociais. Segundo ela, informações sem fundamento técnico podem aumentar a insegurança e gerar impactos econômicos antes mesmo da ocorrência dos fenômenos. “Precisamos comunicar com clareza o que temos de concreto e separar isso do achismo, da especulação e da busca por engajamento. O medo e o pavor antes de as coisas acontecerem não ajudam ninguém”, destacou.
Manejo do solo e controle de doenças
A programação contou ainda com a palestra do engenheiro agrônomo e analista da Embrapa Marcelo Klein, que abordou o “Manejo do Solo para Mitigar Eventos Extremos”. O painel apresentou práticas voltadas à conservação do solo e à redução de problemas como erosão, perda de nutrientes e danos provocados pelo excesso de chuva.
Encerrando os painéis técnicos, o engenheiro agrônomo e doutor em Fitopatologia Carlos Alberto Forcelini apresentou uma “Atualização no manejo de doenças em soja, sob condições de El Niño”. A exposição tratou dos cuidados necessários diante da maior umidade prevista, cenário que pode favorecer a ocorrência e a evolução de doenças nas lavouras.
O Fórum também teve o espaço institucional do Sicredi, com a participação do gerente de Desenvolvimento de Negócios Agro, Ademir Iorkoski.
A vice-prefeita Luciana Folle destacou que o encontro proporcionou troca de experiências, conhecimento e novas orientações sobre clima, economia e produção. Já o secretário municipal da Agricultura e Meio Ambiente, Erlon Amauri Baruffi, agradeceu às entidades, aos servidores, à comunidade de São João Vianei e ao público que contribuiu para a realização da 13ª edição.
O Fórum Norte Gaúcho da Soja é promovido pelo Sindicato Rural de Getúlio Vargas, Prefeitura de Ipiranga do Sul, Emater/RS-Ascar, Associação dos Engenheiros Agrônomos dos Municípios do Alto Uruguai (AEAMAU), Centro Universitário Ideau e Associação Comercial, Cultural, Industrial e de Agropecuária de Getúlio Vargas (Accias).
Reportagem e fotos:
Elaine Fontana e Lairton Tres – Fonte Agência de Jornalismo